Mídias Sociais: o consumidor 3.0

O ser humano, antes de mais nada, está condicionado há algo que vai além de nossa capacidade de intervenção, a capacidade evolutiva. Em outras palavras, hoje somos Homo-Sapiens, amanhã quem sabe o que seremos… Essa constante na evolução humana, sugere algo – que levado para o ambiente digital, põe em xeque as autodenominações como: “Social Media Specialist”.

As redes sociais existem desde que aprendemos a estabelecer uma comunicação básica, portanto neste sentido, sim, as redes sociais não são novidades; novidades são as redes sociais digitais que há poucos anos passaram ao estágio de mídias sociais, e que provavelmente possui mais lenha a ser queimada do que se imagina. Então como se rotular em algo que basicamente está se constituindo? Tal fato me lembra uma frase que infelizmente agora não lembro a quem pertence, mas que se encaixa perfeitamente no contexto: “O ser humano não é, o ser humano está.”

Bom, o fato é que do ponto de vista business, transformar as redes sociais digitais em mídias sociais é uma grande sacada e uma bela base para geração de negócios na era 2, quase 3.0. Pois você trabalha com pessoas, seus interesses, suas aspirações e sua necessidade essencial, a de se comunicar.

O marketing tradicional trabalha com base nos 4P’s, ao passo que na web 2.0 existem os 4C’s – Criação, Colaboraração, Conteúdo e Comunidades; levando os 4P’s e os 4C’s para o ambiente digital, o marketing encontra aquele que na minha opinião é o mais importante, o 5º P – Pessoas…

Que coisa mais inteligente, facilitar através de algo que por si só já é atrativo, (a internet) a necessidade de se comunicar.

Também podemos levar em conta a facilidade que o ser humano tem de ser influenciado por seus pares, algo que se deve ao fato de vivermos em grupos, conexões. Nós vivemos em redes. Outro fator interessante é que os profissionais de marketing, design, planejamento e até mesmo de desenvolvimento, estão engajados em entender o fenômeno das mídias sociais. E isso leva a outro estudo, o do comportamento humano…

Você já parou para imaginar se todo profissional de internet começar a pesquisar sobre o consumidor 2.0? Será que todos nós já não estamos fazendo isso? E quais serão suas consquências? Teremos um novo modelo de consumidor construído por nós – que também somos consumidores?

Em suma, teremos um modelo de consumidor construído em rede?

Comments (3)

  1. Victor, você está certo, e há várias pérolas nesse seu pequeno texto. A primeira é essa compreensão da mutabilidade do ser humano, a constante evolução. Realmente, “estar” é mais relevante do que o “ser” nas interações humanas, pois é muito difícil afirmarmos que “somos” assim ou assado. Recomendo a você, caso não conheça, o livro Antropomarketing, do Clemente Nóbrega. Uma aula sobre evolução, consumo e marketing.

    Outro apontamento seu importante é o quanto os profissionais de internet estão dedicados a compreender o consumidor no universo online. Eu trabalho com comunicação especializada no público feminino, tenho uma agência focada na mulher, e posso dizer: conhecer o comportamento humano é a primeira e mais importante de todas as coisas que qualquer empresa pode fazer se deseja sobreviver no mercado. Primeiro, porque é esse comportamento que determina que produtos e serviços ela deve desenvolver. Isso elas fazem. Segundo, que é só assim que se aprende como as pessoas PERCEBEM as mensagens das empresas e, portanto, é assim que se pode criar uma comunicação eficiente. Isso as empresas NÃO fazem direito.

    Então, esse conhecimento é mais que relevante, é vital. Porém, o primeiro insight que tivemos na Femme foi o de eliminar a palavra “consumidor” do nosso vocabulário. Nós estudamos PESSOAS, o quinto P que você falou. Comprar é apenas mais um comportamento, e olhar somente para ele (que é o mais intressante para as empresas) é um tiro no pé nas redes sociais digitais. Aliás, foi bom você frisar que redes sociais sempre existiram, não tem nada de novo fenômeno nisso. O fenômeno está na facilidade, abundância de meios e nas inovações nas formas de se relacionar (ferramentas, virtualidade, anonimato etc).

    Se estamos construindo um modelo, fazemos parte e ainda não conseguimos nos distanciar o suficiente para olhá-lo de fora. Tudo que é novo só pode ser muito bem avaliado depois de muito tempo e coloca os competidores numa posição de igualdade. Pequenas e grandes empresas ganham a mesma chance de competir nesse novo meio, justamente por ele ainda ser tão novo.

    Abraços!

    • Olá Cezar, tudo bom?

      Obrigado por seu comentário, que é uma extensão deste artigo. Obrigado também pela dica do livro. Não o conheço, mas vou pesquisar sobre.

      Basicamente esse texto é uma provocação sobre o comportamento humano, e um questionamento da capacidade de analisarmos e compreendermos o comportamento alheio para chegarmos a um modelo de geração de negócio. Será que não devemos olhar para nós mesmos, e pensar se estamos criando uma geração de consumidores – apesar de também sermos consumidores? Vejamos a “geração Y” e a vindoura “geração Z”. Digo, a evolução não me parece estar caminhando de maneira tão natural assim…

      Mas enfim, não critico essa postura, pois como colocaste: “…conhecer o comportamento humano é a primeira e mais importante de todas as coisas que qualquer empresa pode fazer se deseja sobreviver no mercado.” E assim como você, eu também o faço. Rs!

      Abraços!

  2. Esse artigo me lembrou muito estudos feitos pelo pessoal que estuda antropologia. Seriam, então, as redes sociais digitais, alvos de estudo antropológico? Saber o comportamento do ‘indivíduo’.
    Fato que isso ainda será alvo de bastantes discussões e a cada estudo/teoria lançada, mais dúvidas vão surgindo e um novo comportamento vai sendo traçado.
    Isso é muito p/ mim. ^^

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