Coexistência das Mídias: Digital x Analógico

Já faz algum tempo que venho escrevendo sobre seres humanos e nossa relação com com o ciberespaço. Desta vez não será diferente, porém abrirei um pouco mais o tema para um debate sobre o digital x analógico, e porque não devemos ter certeza de que o digital veio para substituir aquilo que foi a base para sua origem. Antes que alguém consteste, esse é um post com minha visão, ou seja, utilizei minha experiência passada e opnião para desenvolvê-lo.

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Muitos estudiosos acreditam que os tablets ou e-readers possuem características básicas, que por si só sugerem uma mudança radical na maneira como lemos livros ou revistas, acreditando na substituição dos impressos e invalidando uma história repleta de atualizações, padrões e sensações únicas já estabelecidas. Essas características podem ser agrupadas em praticidade, afinal agora você pode carregar consigo 1000 livros sem ter que carregar o peso que eles proporcionariam fisicamente. Mas não vamos falar de features de gadgets, vamos falar da premissa básica do equilíbrio no ecossistema. Vamos falar de nós, os seres humanos.

Nós vivemos em uma contante evolução – o ser humano não é, o ser humano está – e o rítimo dessa evolução aumenta progressivamente; prova disso é o tempo que o rádio levou para alcançar 50 milhões de ouvintes: 38 anos. Enquanto que a televisão[bb] levou 13 anos, e a Internet levou 4.

Apesar de vivermos na Era da Generosidade e da Criatividade Coletiva, de sermos geradores, consumidores e gestores da informação – de muita informação – , de termos uma tendência a investir no caminho do digital (já que teoricamente a tecnologia vem para o bem, para agilizar processos ou melhorá-los), nós não abandonamos o livro impresso. E não vamos fazê-lo tão cedo, caso um dia o fizermos.

Não quero ser conservador demais, até porque meu papel não é esse, mas vejamos, o rádio coexiste com a TV até hoje. Bem como envio de e-mail pelo celular divide espaço com o envio de SMS, nos EUA e em todos os outros países do mundo. Então você fala: “Ah mas isso é só uma questão de tempo até que aplicativos e mobile clients de e-mail se enquadrem em um padrão de usabilidade adequado..” Sim, esse é um dos pontos, mas eu diria que o mais importante é a cultura associada na atividade de enviar um email por um smartphone e nos valores intrínsecos no ato de enviar um SMS.

A próxima novidade no Brasil é a TV Digital Interativa, que também  é vista por alguns céticos como um investimento desnecessário. Afinal para que investir em interatividade digital para TV quando já possuímos a Internet? A resposta além de ser cultural, também está associada aos perfis de pessoas.

Os seres humanos não são iguais, claro que possuem grupos de interesses semelhantes – nós vivemos em redes –, e justamente por esse fato há espaço para diferentes investimentos. Nichos segmentados ou não. Afinal,  o fato do SMS ter a limitação do número de caracteres e da impossibilidade de anexar arquivos, nem sempre é ruim. Essa é uma forma de controle, controle este que será útil para alguém, como por exemplo para crianças.

Outra reflexão que coloco aqui é que por sermos bombardeados de conteúdo por todas as partes, temos a sensação da falta de tempo, tornando essa área de conhecimento um luxo. A escassez faz com que criemos uma necessidade, a de filtros. Um exemplo claro de filtro é a caixa de e-mail prioritária do G-mail, que aprende com o usuário quais são os e-mails mais importantes, ou seja, aqueles que devem ser lidos primeiro. Alguns dizem que a criação de filtros como este já é um ensaio para a Web 3.0, mas dependendo do ponto de vista o que  temos é  algo que chamo de Hipocrisia 2.0 ou Preguiça 2.0.

Por que deixar que um grupo de algorítimos decida por você o que é importante, dentre outros e-mails? Se você realmente considera os outros e-mails menos importantes ou até mesmo desinteressantes, por que não filtrá-los direto para a lixeira? Afinal ler depois os e-mails menos importantes é algo quase que utópico, pois você não terá tempo de lê-los posteriormente, já que terá novos e-mails prioritários, certo?

Essa discussão trata do simples fato de aceitarmos a tecnologia sem nos questionarmos se ela realmente veio para nos ajudar, ou se há – por ventura – um interesse maior na jogada…

Então só por que alguns dizem que o e-reader vai substituir o livro impresso (e olha que nem toquei no âmbito ecológico), ou que o mobile e-mail irá substituir o SMS, você não deve acreditar, mas deve enxergar se aquela novidade foi feita para você, pois se não, certamente haverão outras. Seria preocupante vermos o mantra: “Você é o que você compartilha”, alterado para: “Você é aquilo que a Tecnologia quer”.

Não sou futurólogo e muito menos tendencionista, e sei que o ser humano altera seu contexto no ecossistema com frequência, e que sim o livro impresso pode acabar, dentre outros sistemas analógico que possuímos e utilizamos. Mas afirmar que irão acabar é  muita prepotência. Afinal inovação não é um requisito apenas para o Digital.

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